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Postado em: 27/07/2020 às 07:59
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MST distribui 5.300 kits de alimentos para municípios da região

Ação faz parte de uma campanha nacional e beneficia famílias em vulnerabilidade, entidades e hospitais durante a pandemia


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Além de serem celebrados por produzirem a maior parte dos alimentos que chegam à mesa da população brasileira, os agricultores e agricultoras familiares e da reforma agrária também são exemplo de solidariedade durante a pandemia do coronavírus. A partilha dos frutos da terra com pessoas e instituições que enfrentam dificuldade marcam a comemoração do Dia Internacional da Agricultora e do Agricultora Familiar no Paraná, neste sábado (25). 
Camponeses Sem Terra realizaram doações nas regiões centro, norte e sudoeste - onde se somaram também a pequenos agricultores e atingidos por barragens. Somente na ação deste sábado, foram 93 toneladas (93 mil quilos) partilhadas com moradores de áreas urbanas, indígenas, instituições e hospitais. Com as ações de sábado, a campanha de solidariedade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no (MST) do Paraná atinge 350 toneladas. Em todo do Brasil, a mobilização soma 2.500 toneladas e centenas de iniciativas coletivas de prevenção ao coronavírus.

Outra leitura foi na Praça São Pedro, no centro de Quedas do Iguaçu, durante a cerimônia de bênção do comboio de caminhões com os alimentos para serem entregues às famílias dos bairros da cidade, entidades assistenciais. 


Venilda Castanha, que é integrante da direção estadual do MST e pré-assentada na comunidade de Vilmar Bordin, em Quedas do Iguaçu, ouviu emocionada as palavras e bênçãos do Papa Francisco à partilha de alimentos produzidos pela reforma agrária popular. Só do seu acampamento foram colhidas seis toneladas de produtos para a atividade de hoje. “As palavras do Papa Francisco fortalecem a nossa caminhada e nos anima a cada vez mais dividir o pão com cada irmão que passa dificuldades”, diz ela. “A gente não está doando o que nos sobra, mas repartindo o fruto do trabalho de 136 famílias do acampamento Vilmar Bordin aqui em Quedas do Iguaçu”, completou.


Terras repartidas que geram fartura de alimentos

Mais de 5 mil famílias da região centro do Paraná realizaram a maior doação de alimentos do MST desde o início da pandemia, com cerca de 80 toneladas. A ação envolveu 20 comunidade, de 9 municípios, que juntas formam o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina. 
Ao todo, 5.300 kits de alimentos foram distribuídos e chegaram nas mãos de famílias em situação de vulnerabilidade e entidades de Laranjeiras do Sul, Rio Bonito de Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Goioxim, Cantagalo, e para as 8 comunidades da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras. 

Lindinalva da Cruz Olinto, professora aposentada, é moradora do bairro John Kennedy e integrante da diretoria do Clube de Idosos Santa Edwirges, uma das instituições que recebeu os alimentos neste sábado.  
“Há muitas décadas, colhia-se soja e milho no município, mas o retorno disso era limitado. Quedas do Iguaçu tem pouco mais de 50 anos de emancipação e a presença dos assentamentos e pré assentamentos da reforma agrária, pouco mais de uma década. Nesse pouco tempo, a luta pela terra está transformando a realidade. Porque, antes, essas terras tinham um único proprietário. Agora, são diversas comunidades que produzem comida para alimentar as pessoas que precisam e que enfrentam dificuldades neste momento”, garante a aposentada. 

 

Benção de Roma

O reconhecimento às inúmeras ações solidárias realizadas em todo o Brasil veio também de Roma. O cardeal Michael Czerny, autoridade do vaticano à frente de ações humanitárias no mundo, enviou uma mensagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em nome dele e do Papa Francisco. Na “Carta de Roma”, o cardeal canadense transmite uma mensagem de gratidão às famílias da Reforma Agrária pelo gesto de distribuição de alimentos às famílias necessitadas nestes tempos da Covid-19. “É um sinal do Reino de Deus que gera solidariedade e comunhão fraterna”, diz o documento.
A mensagem em que o Papa Francisco abençoa os produtos partilhados e reza pelas famílias que produziram, doaram e as que estão recebendo os alimentos é ilustrada por duas passagens bíblicas que falam da compaixão diante da fome e da pobreza do povo. Uma delas é aquela em que Jesus Cristo multiplicou os pães para saciar uma multidão de famintos. O líder da igreja católica diz que reza também para que elas sejam protegidos da pandemia do novo coronavírus e pede coragem e esperança a todos. “E neste dia dos agricultores, que o nosso Bom Deus proteja e abençoe todas as famílias que trabalham na terra e lutam pela partilha da terra e pelo cuidado de nossa casa comum”.
Ao abençoar os alimentos que foram doados pelas famílias do assentamento Dorcelina Folador, em Arapongas, o Bispo Dom Carlos José de Oliveira lembrou as palavras ditas na carta: "Todos esses produtos maravilhosos, frutos da terra e do trabalho humano, do trabalho de vocês, não são só esses. Mas esses simbolizam toneladas e toneladas, que estão sendo e serão doadas. E nós abençoamos não só estes, mas tudo que será doado. E como a carta do cardeal representante do Papa nos disse: Isto é sinal da benção e da proteção divina. Há muita alegria em poder dar e poder oferecer a aquele que mais precisa". 

Marmitas da Terra 

Em Curitiba, mil marmitas foram distribuídas às pessoas em situação de rua, moradores da periferia e entregadores por aplicativos, nesta quarta-feira. A ação abriu a celebração do MST do Paraná para o Dia do Agricultor e da Agricultora Familiar.

A produção das marmitas é feita por integrantes do MST e de organizações parceiras todas as quartas-feiras, desde o início de maio. Ao todo, cerca de 8.800 marmitas foram produzidas. As refeições têm a maioria dos ingredientes alimentos vindos de comunidades do Movimento, de várias regiões do estado. Também foram produzidas e distribuídas 600 máscaras de tecido. 

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